PENY GEOMÉTRICOFIGURATIVISTA - Texto de Fernando Moniz Lópes

dezembro 01, 2013 JAYR PENY 0 Comments

Pintor é um Homem que compreende as coisas com o olhar, é visionar num sentido mais profundo, é a forma de encontrar o lado oculto das coisas, é estabelecer uma relação como oculto e de prestar de uma certa forma, um culto. Culto esse que a Obra de Jayr Peny remonta simultaneamente às raízes do paganismo e do sentido cristão. Há uma força invulgar de vitalidade na Obra deste artista que se manifesta na impetuosidade, na precisão do traço e na espantosa euforia da cor, conciliando, de um modo equilibrado, o racional e o irracional, indo mais longe ao pretender geometrizar o não geométrico numa dialéctica do esforço, racionalizar o irracional. Há na sua Obra dualidades fundamentais que se exprimem pela analogia, como se pretendesse recuperar o mito do andrógino; dualidades como o bom e o mau, o preto e o branco, o claro e o escuro, o macho e o fêmea à maneira da Tábua Pitagórica dos pares de opostos.

Procura em larga medida não apenas explicitar o implícito mas deixar uma imagem de ambiguidade nas coisas, nos gestos, nas ideias que se pode traduzir pelo implícito de explícito, o que resta como resíduo e é fundamental para a compreensão do mundo, dos sentimentos, dos conceitos, porque a razão para Jayr Peny é uma razão com alma como diria o grande filósofo português Álvaro Ribeiro.


Jayr Peny domina a pintura, não se deixa dominar por ela. 


Há uma base de autonomia na sua Obra que sofre por vezes influências de Portinari, Almada Negreiros e, 
num sentido mais longínquo, do sempre omnipresente Picasso. Cultiva um “geometrismo figurativista” quebrando a rigidez das rectas com a sinuosidade das curvas, opondo o drama ao lirismo revelando deste modo ainda essa sua dualidade fundamental que se manifesta nas suas figuras quase que andróginas, numa Obra plena de sensualidade e poesia que a todo o instante se reafirma num autêntico e fecundo esforço de viver, ou para repetir as suas próprias palavras:

"Para um artista o importante não morrer, mas continuar vivo."